Gostaria de compartilhar com vocês uma reflexão sobre os negócios sociais e o mundo que estamos vivendo hoje.

Ouvi certa vez Muhamad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, falar que nós não estamos aqui para curtir a vida como se alguém tivesse criado o planeta e nós fossemos apenas convidados.

E acho que é bem isso mesmo. Não somos convidados aqui, somos criadores das nossas próprias vidas, do nosso próprio mundo. Só que antes de criar o nosso mundo precisamos imaginar que tipo de mundo nós queremos e então começar a criar a nossa realidade.

Existem muitas coisas ruins acontecendo no mundo – pandemias terríveis, pessoas morrendo de fome, morrendo nas filas dos hospitais, a violência urbana é uma terrível realidade, os crimes corporativos e a corrupção em toda parte.

Mas também existem coisas boas que estão acontecendo e são muitas, com certeza bem maiores que as coisas ruins.

Neste momento, mais do que nunca as pessoas estão sendo mais empáticas, estão sendo mais solidárias, estão pensando em energia limpa, na preservação do meio ambiente e na sustentabilidade. Todos nós estamos pensando em como nos conectar com outras pessoas do mundo todo.

Eu acredito mais do que nunca, que as pessoas querem ver um mundo melhor.

Estamos aprendendo que muitos dos nossos problemas, de conflitos, de apegos às coisas do passado e muitos confortos que damos valor, não são mais tão importantes, nem essenciais, eles podem ser deixados de lado.

E quando nós criamos essa consciência social, começamos a mudar nosso comportamento e com isso mudar as pessoas ao nosso redor, mudando a sociedade como um todo.

Para provocar uma grande mudança, que se espalha por toda sociedade e afeta milhares de vidas, não é preciso ser um tipo especial de pessoa. Todos nós podemos trazer alguma mudança positiva para algum canto desse mundo, desse nosso maravilhoso planeta.

Todo mundo pode mudar o mundo!

Nós temos que pensar agora em como resolver os problemas globais juntos, em comunidade. Cada problema numa comunidade é o resultado de vários fatores que envolvem essa comunidade. Fatores culturais, sociais, econômicos, históricos, de organização social mesmo. Então para desenvolver uma comunidade nós precisamos mexer com todos os fatores.

Criar uma consciência de que todos podemos ser transformadores. E alguns negócios de impacto social estão conseguindo fazer isso.

O terceiro setor, as organizações da sociedade civil, os negócios de impacto social, tem soluções inovadoras, de baixo custo, de alto impacto positivo.

As empresas privadas têm capacidade de patrocinar, fortalecer todo esse movimento social. E esta união pode ser feita com uma visão estratégica. E isto tudo, forçar, influenciar os governos a adotarem isso como política pública.

A lógica do mundo que estamos falando é muito simples … eu só vou acertar, se você acerta… eu só vou ganhar, quando você ganha.

E os negócios sociais mostram bem essa possibilidade. O que uma empresa pode aprender como uma organização social e o que uma organização social pode aprender com uma empresa. Então, talvez seja possível buscar uma convergência, criar um novo modelo de gestão, um novo modelo de empresa, que nasce socialmente responsável, que só é bem sucedida porque todo o seu entorno também é bem sucedido.

Quando nós pensamos em mudar o mundo, pensamos sempre em grandes milagres, em grandes somas de recursos, em novas tecnologias, mas nós não precisamos disso.

Com o que já sabemos, através de tecnologias sociais, empreendedores sociais, o que já está à nossa disposição com o poder da internet, este mundo se transforma em pouco tempo.

Albert Einstein tinha em seu escritório um cartaz que dizia: nem tudo que conta pode ser contado e nem tudo que pode ser contado conta.

No mundo dos negócios pode-se medir o desempenho de uma empresa pelo seu lucro. Mas como medir o impacto de uma organização que ensina pessoas comuns a se transformarem em educadores sociais cuidando de crianças em vulnerabilidade, ou de outra, que muda a vida de moradores de rua, gerando emprego e resgatando a sua dignidade novamente?

Como será o mundo onde todos serão transformadores? É um mundo completamente diferente do mundo que temos, um mundo de real igualdade, onde todos contribuem de forma grandiosa e onde todos precisam ser realmente empáticos, éticos, profundamente respeitosos com as pessoas a sua volta.

O que está acontecendo hoje no mundo, com a pandemia do Covid-19 é morte, medo, incerteza, insegurança, falta de controle da situação.

Todo mundo busca incansavelmente a cura das doenças, vacinas para uma solução definitiva. Buscamos o resultado – o fim da pandemia!

Mas é importante nos lembrarmos sempre que não se trata apenas do final, é a jornada, é quem nós nos tornamos durante esta jornada, durante os problemas que enfrentamos, é o que realmente importa no final.

Poderemos fazemos esta pergunta: o que vai acontecer depois desta crise, como será o novo normal? ou, que mundo nós queremos de agora em diante, daqui há cinco ou dez anos? Pós pandemia!!!

Então, vamos começar a construí-lo.

Marcos Rocha

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